quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

BEM-VINDOS NATAL E 2011



Dulce Claudino

Psiu ! Pare um instante. Percebeu?
São os passos cautelosos que anunciam o natal!
São eles, os arcanjos, envoltos num véu,
Descendo do céu num fio dourado de estrelas cadentes
Imitando carrossel.

O nosso? O das Letras? Demasiada ousadia!
Não dos arcanjos...
Dos corajosos viajantes desta nave, que de mãos entrelaçadas
Circundam o infinito com movimentos giratórios
Ao som dos sinos em badaladas.

É mais um natal, Carrosseleiros da unidade,
Ostentando no bojo os nossos sorrisos alegres, festivos, triunfantes
Do dever cumprido: O da Fraternidade.

Bate às portas um novo ano, alquebrado com tanta felicidade
Na testa um letreiro: “Viver é o essencial”
O que se foi passou. Virou saudade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SONHO DE NATAL

Maria Heloísa Fernandes



Quando deitei, já era mais de 23 horas.
Olhei pela janela, uma lua brilhante emanava seus raios sobre meu lençol. Fiquei olhando fixamente, mas tive que rapidamente esfregar meus olhos, pois jurava ter visto uma linda estrela correr no céu, e atrás dela Papai Noel em seu trenó.
Brincadeira comigo mesmo!
Claro que isso não seria real. Imaginem só!
Lembro que deixei de acreditar em Papai Noel lá pelos meus oito anos de idade, quando vi papai e mamãe levando meu presente para a árvore de natal. Lembro também que naquela noite fiquei muito triste por saber que o encanto havia acabado, mas logo me animei porque achava mesmo que aquilo aconteceu porque estava virando gente grande.
Agora, olhem só, que coisa doida é essa? Só poderia ser coisa de minha imaginação. Esfreguei mais uma vez meus olhos, e olhei arregalada para aquela noite de luar, e novamente lá estava ele, o velhinho mais amado e querido pelas crianças em seu trenó com suas renas mágicas a passar defronte a lua.
Nossa, acho que enlouqueci! Só pode ser isso, ou de certo foi aquele patê de fígado do jantar?
Olhei novamente à janela e agora só avistei um lindo dia de sol, quando meu despertador me acorda às 7 horas da manhã de mais um dia de Natal.
As crianças do bairro desfilam com seus brinquedos, que Papai Noel lhes trouxe nesta noite de Natal.
Certamente estavam mesmo naquele trenó!
Feliz de quem acredita nisso!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CORAÇÃO DEZEMBRINO

Maria de Fátima Barreto Michels


Sempre que chega dezembro,
dou-me a chance por um mês,
permitindo ao coração,
ser criança outra vez.

Repleta de confiança,
troco perdão por beijinhos,
faço beiço, bato pé,
sonhando com presentinhos.

Até com Jesus Cristinho,
a alma brinca de roda,
esperanças renovadas,
no coração pulam corda.

Arvorezinhas e vozes,
em cantos de mil amores
atravessam as janelas,
da noite de luz em cores

taque-tique, tique-taque
meu coração dezembrino
“crianceia”, tique-taque
Esperando Deus-menino

Crê e anseia coração
Tremeluz tremeluzindo
Esquece as dores do mundo
Taqueteia...taquetindo...

O PRESENTE DO PAPAI NOEL

Jacqueline Aisenman



Acordaram e não viram o menino. Procuraram pela casa toda e nada. O desespero já começara a se instalar quando encontraram um bilhete perto da árvore: Mamãe, papai, já volto. Fui levar um presente para o Papai Noel. Assinado: Joel. Agonia completa! Presente para o Papai Noel? Que loucura era esta? De repente a porta se abre e ele entra, de pijamas, um pouco amassado e todo sorridente. Corre abraçar os pais ainda sem fala e sem espera começa a falar: Lembram ontem quando fomos à missa? Ele estava lá, lá na calçada o Papai Noel. A barba estava muito suja, a roupa puída e só o chapéu e o sininho na mão fizeram que visse que era realmente ele. Ah, e o saco ao lado dele. Era o Papai Noel. Fora falar com ele mas ele estava pedindo comida para os passantes com o saco vazio estendido. Foi quando pensou que desta vez ele tinha que ser o Papai Noel para aquele velhinho que todo ano vinha trazer coisas para ele no Natal. Mudos e estarrecidos os pais não conseguiam dizer palavra alguma. Mas o menino terminou seu discurso dizendo, todo feliz: Levei a comida do jantar, a estrela da árvore e aquelas roupas que o papai disse que não queria mais. Mamãe, papai, vocês não podem imaginar a felicidade dele! Disse que eu viesse pra casa correndo que meu presente ia estar aqui... Mas agora que o conheci pessoalmente nem preciso mais de presente! E naquela manhã de Natal três pessoas festejaram dentro de casa o que o Papai Noel festejava sozinho na rua: um Feliz Natal!

DOIS MIL E DEZ NATAIS

Márcio José Rodrigues

Dois milênios! Tanto tempo é passado...
A noite mais feliz, inigualável,
O mistério de amor mais memorável,
A humanos mortais, já revelado.

Um menino, herdeiro majestoso
Do rei mais poderoso do universo,
Faz o mundo, em luz, nascer imerso,
Na grandeza do gesto generoso.

Pois, de amar tanto assim, a criatura,
Encarna em criatura, o Ser Perfeito
E o que é divino, humano se afigura.

Se, do amor, mesmo Deus, está sujeito,
Que eu também possa usar dessa ternura
E deixar ser Natal dentro do peito.

ESTÁBULOS DE PAPEL

Maria de Fátima Barreto Michels




Todo 24 de dezembro era aquele ritual. Ela esperava escurecer, pegava a enorme lata escondida sob o assoalho da cozinha, retirava os bebês e começava a lavação. Com uma escova de dente areava todas as peças na pia da louça. Secava tudo com o maior cuidado.
As alvas toalhinhas eram só para aquela função, afinal ter em casa tão finos artefatos, era para si o êxtase, embora misturado ao remorso. Este pecado ela confessaria antes de morrer. Prometera diante do santíssimo, quando entrou na sacristia e levou os paninhos que cobriam o cibório.
Na casa onde vivia com o marido tudo era asseado e pobre. Eles tinham ao final do mês o parco dinheiro da previdência mais os trocados da venda do papelão.
Eram felizes. Chegavam a esta conclusão sempre que conversavam após assistirem na TV as coisas terríveis acontecendo em cidades grandes.
Olavo ficava meio contrariado com aquela mania dela, mas deixava pra Deus resolver. No mais se davam muito bem desde que se casaram. Ela era a melhor mulher do mundo, era o que ele concluía a cada natal.
Os vizinhos sabiam que Dona Feliciana era muito religiosa e na semana do natal ela e o marido iam até as cidades vizinhas ver o movimento. Principalmente rezar diante de presépio, olhar as vitrines e talvez comprar uma lembrancinha. O casal sempre voltava com uma sacola, uma caixinha, um volume qualquer. Era o único luxo que tinham. O resto do ano era a vida dura, a rotina.
Ele abriu o forno, colocou o frango bem temperado e foi ajudá-la. Sentada no chão, diante de inúmeras manjedouras de papelão feitas pelo próprio Olavo, ela ia distribuindo em cada uma um menino Jesus. Cada um mais lindinho do que o outro.
Sentia-se mulher totalmente realizada. Os bebês mais amados do mundo estavam ali sob seus cuidados. Todos surrupiados nas lojas, nas casas e nas igrejas, ao longo dos anos.
Olavo a abraçou com força e depois beijou sua testa. Soubera desde muito jovem que nunca seria pai. Foram para a mesa.
Lá fora passava gente rindo, cantando e falando em papai Noel.
Feliciana sorria por dentro. Era natal, data que ela adorava!

LANÇAMENTO NO DIA 29 DE DEZEMBRO

Em 29 de dezembro próximo, a escritora lagunense Jacqueline Bulos Aisenman, membro do Grupo de Escritores Lagunenses Carrossel das Letras, estará lançando o livro "Entre os Morros da Minha Infância".
O evento acontecerá no Clube Congresso Lagunense, às 20 horas, e a renda será totalmente destinada ao Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos.

Venha prestigiar este importante evento e não deixe de divulgá-lo aos seus contatos...