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quarta-feira, 20 de abril de 2011

ESCREVA!

Jacqueline Aisenman

Não se preocupe com o pecado das letras e nem com a militar formação das frases. Escreva. Não busque os olhos críticos, tente encontrar os corações. Esqueça os títulos e as graduações, lembre do sentimento puro dos que muitas vezes nem são letrados. Escreva. Rime e brinque, crie, desconstrua, invente, seja poesia e faça poemas de vida. Escreva. Conte o seu dia, o momento do amigo, a saudade do pai. Escreva. Crie personagens, dê-lhes vida, conte histórias. Escreva. Mostre. O perigo não está em alguém não gostar do que você escreveu, nem no estilo, nem nos erros. O perigo está em você não deixar livre sua alma, está em se preocupar com o que os outros fazem, em pensar que existe melhor ou pior. Escreva. Seja você em cada linha, seja cada palavra, viva tudo o que escrever, seja na vida ou na imaginação. Viva. Escreva.

E deixe as críticas para os que não tem nada a dizer...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A FORÇA DOS VENTOS

Jacqueline Aisenman





Um vento que vem
do sul
do nordeste
do leste
um vento que vem
que balança os cabelos
que derruba os varais
que levanta ondas no mar...
um vento que vem
e refresca o calor dos dias
e atiça o humor mais calmo
e enfeitiça o ser que passa...
um vento que vem
que vai
que é frescor ou ventania
alivia ou vira furacão...
um vento, dois ventos, três ventos...
e uma barra sedenta se banhando no mar
e um mar sequioso se jogando na areia
e um farol alertando
o barco que vem
o pescador que se aventura...
vai lá
não vai
vai lá
não vai
vem cá...

(Foto de Maurício Drunn, Praia da Tereza)

sexta-feira, 11 de março de 2011

JACQUELINE


Márcio José Rodrigues

Este abraço é pelo seu aniversário hoje.
Carrega um desejo imenso de muitas felicidades, sucesso e como você gosta, paz.
Muita saúde e fertilidade criativa para esta literatura doce e ao mesmo tempo densa e forte com que você nos tem brindado todos os dias.
Temos uma dívida imensa para com você no incentivo de nossa literatura aqui em sua terra natal, a Laguna, que parece estar como uma fênix ressurgindo para a cultura.
Seja abençoada junto com sua querida família.
Mil beijos para você.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O PESO DO SIM

Jacqueline Aisenman

O peso do sim são suas consequências. Dizendo isto ela levantou o vestido com as mãos apressadas e saiu correndo pela porta da igreja.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O PRESENTE DO PAPAI NOEL

Jacqueline Aisenman



Acordaram e não viram o menino. Procuraram pela casa toda e nada. O desespero já começara a se instalar quando encontraram um bilhete perto da árvore: Mamãe, papai, já volto. Fui levar um presente para o Papai Noel. Assinado: Joel. Agonia completa! Presente para o Papai Noel? Que loucura era esta? De repente a porta se abre e ele entra, de pijamas, um pouco amassado e todo sorridente. Corre abraçar os pais ainda sem fala e sem espera começa a falar: Lembram ontem quando fomos à missa? Ele estava lá, lá na calçada o Papai Noel. A barba estava muito suja, a roupa puída e só o chapéu e o sininho na mão fizeram que visse que era realmente ele. Ah, e o saco ao lado dele. Era o Papai Noel. Fora falar com ele mas ele estava pedindo comida para os passantes com o saco vazio estendido. Foi quando pensou que desta vez ele tinha que ser o Papai Noel para aquele velhinho que todo ano vinha trazer coisas para ele no Natal. Mudos e estarrecidos os pais não conseguiam dizer palavra alguma. Mas o menino terminou seu discurso dizendo, todo feliz: Levei a comida do jantar, a estrela da árvore e aquelas roupas que o papai disse que não queria mais. Mamãe, papai, vocês não podem imaginar a felicidade dele! Disse que eu viesse pra casa correndo que meu presente ia estar aqui... Mas agora que o conheci pessoalmente nem preciso mais de presente! E naquela manhã de Natal três pessoas festejaram dentro de casa o que o Papai Noel festejava sozinho na rua: um Feliz Natal!