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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CORAÇÃO DEZEMBRINO

Maria de Fátima Barreto Michels


Sempre que chega dezembro,
dou-me a chance por um mês,
permitindo ao coração,
ser criança outra vez.

Repleta de confiança,
troco perdão por beijinhos,
faço beiço, bato pé,
sonhando com presentinhos.

Até com Jesus Cristinho,
a alma brinca de roda,
esperanças renovadas,
no coração pulam corda.

Arvorezinhas e vozes,
em cantos de mil amores
atravessam as janelas,
da noite de luz em cores

taque-tique, tique-taque
meu coração dezembrino
“crianceia”, tique-taque
Esperando Deus-menino

Crê e anseia coração
Tremeluz tremeluzindo
Esquece as dores do mundo
Taqueteia...taquetindo...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

RIMAS FALSAS

Jacqueline Aisenman


Adoro as rimas falsas
que se instalam desesperadas
nos poemas sórdidos.
Ritos perdidos
esmeradas combinações
de escrita e fala.
Rimas que ensaiam
canto e dança
como bonequinhos
recortados de papel:
sem vida, marionetes
esquetes de situações
de tempestade e bonança
descombinando o
que deveriam, sensatamente
combinar.
Contando, sem explicações,
coisas que os sentimentos
se negariam a ser
e no entanto ali se esgueiram
e fazem reviver.
Transparência ou demência?
Rimas e suas falas
falsas rimas sem falas
nos versos bailando
palavras que calas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Mandona

                                                      Maria de Fátima Barreto Michels


Almoçava, chegava ao portão
e berrava boca afora:
- Vamos jogar taco?
Determinada que só ela
nos seus nove anos!
Eram tardes inflamadas
de algazarra sol e o taco,
comendo solto, na rua tomada
Havia uns 5 meninos,
uma menina e ela
A mandona!
De repente os hormônios
batom, brincos, salto alto
e aquela lindeza de moça
Agora quando ela passa,
eles, na orfandade, sonham,
se acham e berram boca adentro:
- Confio no meu taco!