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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

TOALHAS DE RENDA

Márcio José Rodrigues





Toalhas de renda
de bilros, mistérios...
Abertas na praia.
Bordados etéreos,
À luz do luar.
Quem sabe se as águas
Escondem sereias,
Fascínios de dunas,
Espumas e areias,
De coisas de mar.

Tramóias de prata
Nas alvas esteiras.
Segredos guardados
De antigas rendeiras,
À luz do luar.
Antigas saudades
De antigos Açores,
Antigas lembranças,
De antigos amores...
Cantigas de mar.

Um vulto caminha
À beira da praia.
A espuma lhe borda
A fímbria da saia,
À luz do luar.
Lagunas, imagens...
Os passos de Anita....
Pegadas n’areia....
O vento medita
Histórias de mar.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O MAR

Texto de Regina Ramos dos Santos
com fotos de Maria de Fátima Barreto Michels


O mar é algo tão gradioso, tão majestoso, tão maravilhoso, que, ao pensar em escrever alguma coisa sobre ele, sinto-me como que um grão de areia...





MAR , MARÉ , MARESIA...

Dulce Claudino




Lua cheia no céu.
No mar, fluxos de serpentinas multicores
Adornam a orla espumante
Sobrepujando as ondas que beijam a areia
Num zumbido cantante.

Bem longe, acariciando o infinito
topo de uma embarcação toca de leve as teias douradas
E baila , valsando notas de um refrão
Sonorizado nas guitarras das ondas enluaradas.
Bem perto, o sonhador espelha-se
Na versão silenciosa de uma penetrante onda
Vasculha suas entranhas, encharcando-as   de transparentes bolhas suaves, gélidas
Molhando a alma na execução de sua ronda.

A escuridão domina no apagar das velas pelo sopro de uma negra nuvem
Afugenta-se o brilho das serpentinas multicores
Os pés do sonhador caminham sem rota, vagando sobre as ondas em ziguezague
As narinas aguçadas saboreiam os odores.

                        Mar , maré , maresia...
                        Um acalanto, que alimenta o sonho
                         Ao embalar a rede de quem dorme ao léu.

                                 Mar , maré , maresia...
                                 Doce seresta de quem vive em festa
                                  Por ter como berço o aconchego do enlace
                                  Entre MAR  e  CÉU.
                               


(Imagem: http://www.photos8.com/)

INDIGESTÃO DO MAR

Maria Heloísa Fernandes

A inquietação das ondas
Num balanço estonteante
Enauseavam o mar
Que  incessantemente
Vomitava aqueles sólidos
Impossíveis de digestão
Consequência do descaso do homem
Com o bem maior do universo: a Natureza!