sábado, 19 de março de 2011

Cruz e Sousa – (* 24 novembro 1861 + 19 março 1898)




FLOR DO MAR


És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumaroso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afeto,
as dormências nervosas e o sombrio
e torvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no atro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços...
Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços...

sexta-feira, 11 de março de 2011

JACQUELINE


Márcio José Rodrigues

Este abraço é pelo seu aniversário hoje.
Carrega um desejo imenso de muitas felicidades, sucesso e como você gosta, paz.
Muita saúde e fertilidade criativa para esta literatura doce e ao mesmo tempo densa e forte com que você nos tem brindado todos os dias.
Temos uma dívida imensa para com você no incentivo de nossa literatura aqui em sua terra natal, a Laguna, que parece estar como uma fênix ressurgindo para a cultura.
Seja abençoada junto com sua querida família.
Mil beijos para você.

quinta-feira, 10 de março de 2011

À MULHER

Márcio José Rodrigues

A toda mulher da minha vida, 
desde minhas avós e minha mãe,
que me legaram seus genes benfazejos.
 Minha mãe que ficou só,
mas nos criou com luta e trabalho, carinho e colo,
exemplo e austeridade, mimos e beijos.
Minhas filhas e netas a quem repasso
com imensa honra o padrão das ancestrais.
Que me fizeram sentir como parceiro
de Deus no milagre da criação.
Minha aluna,
com quem convivi
 melhor fase de minha vida profissional
 de quem aprendi tantas lições sobre tantas coisas valiosas.
Minha amiga,
porque te tenho como um tesouro
que achei com muito empenho e sorte.
Tu, mulher,
que tens a mesma origem divina que eu,
 por seres tão igual a mim em dignidade,
direito, dever, liberdade, consciência e intelecto.
Por seres tão diferente de mim em dons,
em graça, beleza e corpo, curvas sensuais e hormônios,
raça onde fui encontrar minha companheira.
Por seres igual a mim e o oposto de mim.
Igualdade que me enche de orgulho,
diferença que eu adoro e faz colorir
a tela onde é pintada a minha vida.
Te amo todos os dias,
mas resolvi dizê-lo hoje, no dia internacional da mulher.


Imagem: Pintura de Marie-Denise Villers

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A VIAGEM

Dulce Claudino



CHOQUE ENTRE PUPILAS
NUM ESPELHO RETROVISOR
VEÍCULO EM MOVIMENTO
EUFORIA E TORMENTO
FLECHADA DO INVASOR.

CALADA DA NOITE
  ELA, A CARONEIRA,
  Ele, O CONDUTOR
  FUSÃO DESCOMPASSADA
      VERTIGENS, ARRITMIAS, PALPITAÇÕES...
A HORA ERA CHEGADA
ANINHAVA-SE O AMOR
NO ÂMAGO DOS CORAÇÕES.

LANÇAMENTO DO LIVRO TÃO LONGE, TÃO PERTO VOL. II

Aconteceu no dia 22 último, em Laguna, o lançamento do livro organizado por J. Machado (República dos Autores).

Fotos de Fátima Michels.














Autores no livro:
Flávio Goulart Barreto (Fpolis)

Marcio José Rodrigues (Laguna)

Vicência Jaguaribe (Fortaleza/CE)

Alexandre Bertotti Pessoa (Laguna)

Suyan de Melo   (Araranguá)

Dulce Claudino (Laguna)

Atanázio Mário F. Lameira (Laguna)

Zuleide de J. Coral (Laguna)

Jorge Coelho (Fpolis)

Maria Heloísa Fernandes (Laguna)

Clarice Villac (Campinas/SP)

Ruggiero Barretini (Fpolis)

Nôra Bela (Biguaçú)

Liane Alves Morais (Laguna)

Gustavo da Silva Machado (Laguna)

Jaqueline Aisenman (Genebra/Suíça)

Maria de Fátima Barreto Michels (Laguna)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

LANÇAMENTO: TÃO LONGE, TÃO PERTO VOLUME II

Dia 22 de fevereiro você não pode perder! Lançamento em Laguna do livro Tão Longe, Tão Perto volume II, do site República dos Autores (J. Machado).



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AMAR É FAZER O BEM

Regina Ramos dos Santos




Uma frase bastaria para resumir a verdadeira essência de todas as religiões do planeta – “Amai-vos uns aos outros.” Muitos poderão pensar tratar-se de uma utopia ou até de algo impossível, pois não dá para imaginar sair pelas ruas amando todo mundo, do jeito que amamos as pessoas dos nossos círculos de convivência. Amar um inimigo então, nem pensar! Foi num livro espírita que aprendi o verdadeiro significado deste preceito cristão, onde “amar” significava “fazer o bem”. E tudo ficou claro como água... “Amai-vos uns aos outros...” é o mesmo que dizer “Fazei o bem uns aos outros.” Realmente, não dá pra sair pelas ruas distribuindo flores e dizendo a todos “eu te amo, eu te amo...” Isso não traria nada de útil a ninguém e o máximo que conseguiríamos seria uma internação numa ala psiquiátrica. Agora, sair pelas ruas fazendo o bem é algo muito diferente, pois as oportunidades surgem à nossa frente, a todo instante e em profusão. É o caso daquele colega de trabalho que está todo atrapalhado e que, mesmo não tendo nos solicitado, vamos até lá e damos uma ajudazinha... Daquele comentário maldoso que não levamos adiante... Do “não” que conseguimos dizer aos nossos filhos, por sabermos que “não” de pai é muito diferente de “não” da vida... Da liberdade que conseguimos dar aos nossos amores, para que não se tornem pássaros de asas cortadas que permanecem ao nosso lado, pelo simples fato de não poderem voar... Do trabalho voluntário em prol de uma causa que tanto faz trazer benefícios a milhares, como a uma única criatura... Fazer o bem também é não destruir a Natureza... Ver, nos animais e plantas, irmãos nossos que simplesmente habitam corpos diferentes e que, por isso, merecem o mesmo cuidado e respeito que reclamamos para nós... Não perder, jamais, a capacidade de nos indignarmos diante da injustiça, mesmo que, por causa disso, angariemos alguns dissabores para nós mesmos... É elogiar... Não criticar por criticar... Dar quantas chances formos capazes de dar àqueles que erraram, a começar por nós mesmos... Tirar o véu da prepotência que nos impede de enxergar todas as criaturas que estão à nossa volta... Tentar vencer nosso egoísmo... Não economizar nossos talentos para espalhar alegria e esperança... Valorizar a todos... Contribuir com a construção de um mundo melhor... Não fazer o mal... Servir sempre...